Da conquista do voto à presença nas câmaras municipais, a participação feminina avança, mas a representatividade ainda é baixa.
A presença feminina na política brasileira é resultado de uma trajetória marcada por lutas e conquistas graduais. O direito ao voto das mulheres foi garantido em 1932, abrindo caminho para que elas também passassem a ocupar cargos eletivos e espaços de decisão. Desde então, a participação feminina avançou em diferentes esferas do poder público, com mulheres atuando como vereadoras, deputadas, senadoras, prefeitas, governadoras e até na Presidência da República.
Apesar dos avanços, a representatividade ainda está longe de refletir a presença das mulheres na sociedade: elas são maioria da população brasileira, maioria das eleitoras, mas continuam ocupando uma parcela reduzida dos cargos políticos, o que evidencia que a luta por igualdade e participação plena ainda continua.
No Espírito Santo, uma das primeiras referências é a professora e política Neném Paiva, eleita vereadora em 1935 no município de Muqui, sendo reconhecida como a primeira mulher a ocupar uma cadeira em uma Câmara Municipal no Brasil. Desde então, a presença feminina nas casas legislativas capixabas tem crescido de forma gradual, com mulheres assumindo papéis cada vez mais relevantes na formulação de políticas públicas e na defesa de pautas sociais. Na última eleição, pela primeira vez na história do ES, foi registrado um grande feito, uma Câmara composta pela maioria de mulheres. No município de Ponto Belo, norte do Estado, tivemos cinco vereadoras eleitas, num total de nove cadeiras.
Em Linhares, a história da participação feminina no Legislativo também demonstra avanços importantes ao longo das décadas. A primeira mulher eleita vereadora no município foi Elita Calmon Machado, na eleição de 1947. Depois dela, outras mulheres ajudaram a construir essa trajetória de representatividade: Maria Edina Fiorot, que também se tornou a única mulher a presidir a Câmara Municipal até hoje, Josinete Correia Soeiro, Maria Nilsa Rocha Fregona, Sandra Maria Nunes, Regina Pedroni, Rosa Ivânia Euzébio dos Santos (Rosinha), Pâmela Gonçalves Maia, Therezinha Vergna, e Kelley Bonicenha. Neste mandato, Pâmela Maia ocupa também a função e Procuradora da Mulher e Kelley Bonicenha de Procuradora da Pessoa com Deficiência. Cada uma delas, em diferentes períodos, contribuiu para fortalecer a presença feminina na política local e ampliar o debate sobre temas relevantes para a sociedade.
Mesmo com esses avanços históricos, os números mostram que ainda há um longo caminho a percorrer. Desde a primeira legislatura, a presença feminina no Legislativo linharense nunca ultrapassou duas cadeiras. Hoje, um montante de 17. Um índice que evidencia a necessidade de ampliar oportunidades, incentivar novas lideranças e fortalecer a participação das mulheres na vida pública.